TEMPO IN-VERSO
sou de palavra pouca falo com olho economizo boca
segunda-feira, 17 de junho de 2013
SONHOS SÃO IMORTAIS
Coloque branco na janela,
no corpo,
na vida
e reze por ela.
Mais triste que a fome,
que a face sofrida,
que as dores
que não se curam,
é a morte dos sonhos
é a morte da crença.
Ninguém pode matar a alma
que se liberta
e vê, afinal
o mal em toda a sua extensão,
mas a fé ainda pode ser maior,
melhor,
mais ampla
- mesmo onde ainda falta o pão -
e faz vencer por fim
quem tem razão!
[elza fraga]
domingo, 19 de maio de 2013
RESGATE
Atravessou o mar
a me buscar
sem medo
das ondas bravias
desaguou
na praia
me fez resgate
encheu
os braços
do quanto
me cabia
eis-me enfim
calmaria
[elza fraga]
sexta-feira, 26 de abril de 2013
CONTANDO TEMPO
Quando me for
que seja noite, por favor,
não me deixe,
Senhor,
perder o por do sol,
o desmair do girassol.
Suavemente,
no meu leito quente,
não nas mãos
de algum indiferente,
num lugar frio
onde todo leito
é igual,
depósito inumano,
indecente,
de gente.
[elza fraga]
FOI BEM ASSIM...
Não foi repentinamente
Não foi por querer,
propositadamente.
Só lembro
que ensandeci.
Acho
que me perdi
e comecei a acumular histórias
a cada passo errado
dentro deste globo louco
que chamam de mundo.
Quando cheguei ao fundo
de mim mesma
e vi tanta sujeira,
não consegui
me equilibrar no imundo
e desliguei todos os fios
que eu via
até afinal nascer a letargia.
Foi bem assim....
[elza fraga]
terça-feira, 16 de abril de 2013
ATALHO
[Tributo a Clarice]
Sensação de estar perdida,
olho pro lado,
ainda vislumbro vida,
menos nítida, mais difusa...
Volto confusa
em busca do atalho.
Acho
endireito o rumo
vejo que a estrada principal
sempre esteve perto
entro quebro a quina
da esquina
e sumo
[elza fraga]
DIVIDIDA
Só o corpo
virou a esquina
passo roto.
A alma
parada no desgosto
espera
florescer
a primavera
no sorriso fugitivo
do seu rosto.
[elza fraga]
sábado, 6 de abril de 2013
LACERADA
(Escondo o lacerado para que teus olhos não medrem e,
por fim, te apartem de mim...)
Visto-me com retalhos
tecidos
com o fio de vida
esgarçado,
costuro atalhos.
Escondo ombros
e seios
sob larga echarpe
onde traceja
a marca da ferida
que o sangue
ainda fareja
só pra que tu
não vejas!
[elza fraga]
MARCA DE NASCENÇA
Só aos poetas foi dada
a loucura contida nas palavras,
com o nascimento
como um dom presenteado pelas fadas.
Aos outros loucos
[os que a vida se encarregou
de transformar aos poucos]
só foi dado o silêncio
e o nada!
[elza fraga]
ASSASSINATO
Esvaziou o peito
do ar que o amor
guardara
por um bom tempo,
sufocou
até perder
a inspira-ação,
matou
por asfixia
o sentimento,
até já,
volto logo,
nem foi dito...
Nunca mais foi visto.
[elza fraga]
MUDANÇA DE ROTA
Preferia ser alto mar,
não água mansa
da costa
batendo na areia,
em bravatas
lambendo rochedos.
Só uma onda
perdida
no meio do oceano,
sem medo,
sem planos,
sem enredo.
Só o ir e vir
constante
beijando o sono
dos navios
espalhando a lua cheia.
[elza fraga]
quinta-feira, 14 de março de 2013
CANTE!
Está triste?
Cante!
Cercada de limites?
Cante!
A porta está trancada?
Cante!
Espinhos na sacada?
cante!
Não lhe prometo menos pranto,
não lhe prometo mais saidas,
não lhe prometo acalanto,
nem lhe prometo flores
margeando a estrada,
mas se cantar bastante
achará sozinha
o caminho
certo,
sua luz e sina!
Que sempre está tão perto
é só virar a esquina...
[elza fraga]
sexta-feira, 8 de março de 2013
NÓS SOMOS AS SEMENTES DO MUNDO
[Somos as autoras de todo homem que caminha sobre este planeta, missão e arte!]
Honre
seu nome de mulher,
mantenha
a dignidade
de uma mente sã.
Não permita
que ditem seu caminho
e se reverencie
seremos para sempre
ninho
semente
do amanhã!
[elza fraga]
Honre
seu nome de mulher,
mantenha
a dignidade
de uma mente sã.
Não permita
que ditem seu caminho
e se reverencie
seremos para sempre
ninho
semente
do amanhã!
[elza fraga]
segunda-feira, 4 de março de 2013
QUANDO ME CALO
No meu calar
moram todos os vocábulos
verbos,
substantivos,
conjunções,
sujeitos ocultos
adjetivados,
pre-posições...
É no calar
que minha alma
fica nua
e vira sua.
[elza fraga]
QUESTIONAMENTO
E agora?
Nesta hora
que a dor gruda
no cerne
insiste
esparrama
come as entranhas
qual verme
demora,
demora,
e desiste de ir embora?
[elza fraga]
FINGI-DOR
Enquanto a lua
pousa
numa poça de chuva
barrenta
a gente insone fita
e finge
que aguenta,
sem temer,
a dor de mais um
amanhecer.
[elza fraga]
...
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
VIVER É ATO, MORRER É FATO.
Para morrer
tem que se ter andado
muitos caminhos
voado do ninho
pousado
em abismos profundos
chorado
até afogar alma
e inundar o mundo
ou apenas ouvido
um único canto
de passarinho
num deslumbre
de abrir o olho
vez primeira
pro planeta
e partir num suspiro
fugindo?
Passar devagarinho
feito simplicidade
de rio fingindo
que não sabe
que vai pra corredeira
ou ser cometa
brilhar rapidamente
e explodir em cores
antes que a vida mude
e nos ponha em branco e preto?
Viver demais
faz mal
a saúde...
[elza fraga]
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
CANTIGA PRA LIBERDADE
Canto
como um cão
lobo
o bobo
a pensar que canta.
Não desisto
assim mesmo canto
uivando pra liberdade,
quatro paredes
sufocam coração humano
cantar me faz desumano
em coração e verdade,
avalista
do perigo
do estrago
que pratico
masoquista
nesta prisão
a sós
comigo.
[elza fraga]
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
POR QUE MORREM OS POETAS?
[Aos meus valiosos amigos poetas que atravessaram o Portal Mágico apressadamente, ousadamente antes de mim]
Não, os poetas não morrem!
Eles mudam a trajetória
passam pros bosques
onde as almas
não dormem
apenas descansam conversas
e aí eles escrevem
poemas
seus melhores
seus maiores
e cada um é elo
da poesia do outro
viram coletivo,
coletânea,
que carregam a tiracolo
nunca mais poema
egoisticamente
solo!
[elza fraga]
Não, os poetas não morrem!
Eles mudam a trajetória
passam pros bosques
onde as almas
não dormem
apenas descansam conversas
e aí eles escrevem
poemas
seus melhores
seus maiores
e cada um é elo
da poesia do outro
viram coletivo,
coletânea,
que carregam a tiracolo
nunca mais poema
egoisticamente
solo!
[elza fraga]
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
O VELHO ANO ME ESPIA
O ano velho espia,
e das frestas da ventania
sussurra que ficaria
caso pudesse parar,
me prometeu que viria
saudar o novo chegar
e até ainda agorinha
só vejo seu olho de vento
parado no pensamento
sem uma brisa no ar,
nem sopro,
aragem macia,
nem mesmo a sabedoria
pra receber sorridente
o ano que vai chegar
tão criança inocente
que nem sabe engatinhar.
Ah se eu pudesse voar
e voltar no firmamento
trazendo este ano velhinho
pra ensinar ao menino
a passar mais devagar
sem apressar mais o tempo.
Ah se eu pudesse enredar
a roda do firmamento
e num gesto ousado e lento
fazer o tempo parar
no primeiro segundinho
deste ano tão novinho
pra nunca mais se acabar
nas curvas do pensamento
levado aos solavancos
pelas esquinas do vento.
Ah se eu pudesse
voltar!
[elza fraga]
e das frestas da ventania
sussurra que ficaria
caso pudesse parar,
me prometeu que viria
saudar o novo chegar
e até ainda agorinha
só vejo seu olho de vento
parado no pensamento
sem uma brisa no ar,
nem sopro,
aragem macia,
nem mesmo a sabedoria
pra receber sorridente
o ano que vai chegar
tão criança inocente
que nem sabe engatinhar.
Ah se eu pudesse voar
e voltar no firmamento
trazendo este ano velhinho
pra ensinar ao menino
a passar mais devagar
sem apressar mais o tempo.
Ah se eu pudesse enredar
a roda do firmamento
e num gesto ousado e lento
fazer o tempo parar
no primeiro segundinho
deste ano tão novinho
pra nunca mais se acabar
nas curvas do pensamento
levado aos solavancos
pelas esquinas do vento.
Ah se eu pudesse
voltar!
[elza fraga]
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
ABANDONOS
Fiquei
encolhida,
des-escolhida,
tão desprovida
de palavras,
de gestos,
de fatos,
parada
enquanto você
virava a esquina
indo
pra sempre
pro nada!
[elza fraga]
APOCALIPSE
[caso acaso se dê o ocaso
e a terra sacuda seus parasitas
viventes do dorso quente]
Algumas notas
de velha canção
dançando
sobre um solo nu,
um coração
batendo
em descompasso
cada vez mais longe,
cada vez mais baixo,
cada vez mais fraco,
meu relógio
em eterno atraso,
só isso
enfim,
foi o tudo
que restou de mim
após o ocaso...
[elza fraga]
Imagem: Foto de Fabio StachiVer mais
e a terra sacuda seus parasitas
viventes do dorso quente]
Algumas notas
de velha canção
dançando
sobre um solo nu,
um coração
batendo
em descompasso
cada vez mais longe,
cada vez mais baixo,
cada vez mais fraco,
meu relógio
em eterno atraso,
só isso
enfim,
foi o tudo
que restou de mim
após o ocaso...
[elza fraga]
Imagem: Foto de Fabio StachiVer mais
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
CANÇÃO PRA ACORDAR O SONHO
[Contraindicação e efeitos colaterais:
Para quem não tem controle total sobre a mente,
cuidado, escrever poesia enlouquece]
Era uma vez... Era uma vez...
um menino de sonhos
que inventei pra vocês.
Sempre que conto esta história
peço a minha lembrança
pra devolver a criança
que um dia foi meu rei.
Tinha o olho de anjo,
a pele cor do marfim,
sorriso feito de asas
voando sempre pra mim,
peito de bem querer
voz de querubim,
morava na minha infância
que era um imenso jardim.
Sempre que conto esta história
devolvo pra minha mão
o livro que escrevi,
as letras daquela canção,
a varinha de condão,
o dom da imaginação,
o sonho bom que sonhei,
e, só então,
acordo o menino
do sonho
que um dia foi meu rei.
[elza fraga]
Da série Contações de História
peço a minha lembrança
pra devolver a criança
que um dia foi meu rei.
Tinha o olho de anjo,
a pele cor do marfim,
sorriso feito de asas
voando sempre pra mim,
peito de bem querer
voz de querubim,
morava na minha infância
que era um imenso jardim.
Sempre que conto esta história
devolvo pra minha mão
o livro que escrevi,
as letras daquela canção,
a varinha de condão,
o dom da imaginação,
o sonho bom que sonhei,
e, só então,
acordo o menino
do sonho
que um dia foi meu rei.
[elza fraga]
Da série Contações de História
EMBUSTE
Acho que meu tempo
de vivente
anda nos calços
da eternidade
faz um tempão.
Desconfio
que já estou
na agonia
da prorrogação.
É premente
que comece
com maestria
a inventar
minha biografia,
não me conformo
em partir assim
vazia!
[elza fraga]
terça-feira, 27 de novembro de 2012
APRESSANDO A TEMPESTADE
Ilustração de Nicoletta Ceccoli
Entre a pele lisa
da covardia
e a destruição
do tempo
da covardia
e a destruição
do tempo
fico com a ousadia
e as rugas
da ventania
é menos lento!
[elza fraga]
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
QUANDO MORRE O POETA
Fonte da imagem: overmundo.com.br
Tudo agora
é novo
pro poeta
é novo
pro poeta
e o silêncio
faz parte do jogo
não deixe
que ele acorde
e se perceba
morto
[elza fraga]
COMO ERA BOM ANTES DO TEMPO
Tempo,
como o vento,
tem mania
de se insurgir
e estragar,
por atrevimento,
o que antes
era
calmaria.
[elza fraga]
e estragar,
por atrevimento,
o que antes
era
calmaria.
[elza fraga]
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
TODO O CUIDADO É POUCO!
Poeta?
Cuidado!
Ninguém está a salvo,
não se iluda
com a aparente calma,
ele tem arma:
Palavra!
Coitado
do alvo.
[elza fraga]
com a aparente calma,
ele tem arma:
Palavra!
Coitado
do alvo.
[elza fraga]
sábado, 3 de novembro de 2012
MORADORES PROVISÓRIOS
Ninguém se prontifica
a penar o meu sofrer
para me dar descanso,
mas dizer
o que devo fazer
quantos....
[elza fraga]
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
É TEMPO DE NÃO SER
Estanca o sangue
que o peso de ser
me arranca
das entranhas,
a alma não aguenta,
que jorra,
que suja
a minha história
e, assim,
bem devagarinho,
enfim
me desinventa.
[elza fraga]
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
RETORNANTE
Arriei a bagagem
[pesava na alma]
no quente da rua
e,
sem eira nem beira,
sem mala nem cuia,
retornei
quase nua,
olvidei que parti.
Pronto, poesia,
mesmo que você
me receba vazia,
e me puna
com o corte
da asa
eis-me,
novamente,
aqui
de volta pra casa!
[elza fraga]
SÚPLICE
Aceita-me
como sou
e só
não desiste.
Nada mais preciso,
não estamos
na filial do paraíso,
entendo até
que ela nem existe...
Aposta tudo,
persiste
confiante
até o fim
quando a velhice
enfim chegante
vir colher
o que sobrou de mim.
[elza fraga]
terça-feira, 30 de outubro de 2012
ADULTOS NÃO SÃO CONFIÁVEIS
Ouvi
desde pequena,
por ser arredia
e avessa a estudo,
que,
quando crescesse,
se ajeitaria tudo,
ficaria grande e
inteligente...
Delírios de adultas
mentes.
O nome do que a idade
traz consigo
não é sabedoria,
é reumatismo.
[elza fraga]
quando crescesse,
se ajeitaria tudo,
ficaria grande e
inteligente...
Delírios de adultas
mentes.
O nome do que a idade
traz consigo
não é sabedoria,
é reumatismo.
[elza fraga]
VELOCIDADE
Indefinida
a vida,
não sabe se vai
ou se fica,
mas encanta
no seu curso,
no susto,
e nó na garganta,
e tanta
veia pulsando
até quando
o inesperado
marcado
num calendário
sucinto,
avisa:
-Extinto...
[elza fraga]
no seu curso,
no susto,
e nó na garganta,
e tanta
veia pulsando
até quando
o inesperado
marcado
num calendário
sucinto,
avisa:
-Extinto...
[elza fraga]
FORA DA FÔRMA
Não bastou
a sina
de nascer menina,
onde homens
acham
isso tudo
muito pouco?
Não bastaram
os fatos
desleais
de ser sem escolha
de classe social,
de lar,
de país,
de pais?
E um fulano
ou outro
'inda vem
empina o nariz
e diz
que tenho
quase tudo
pra ser infeliz,
e não compreende
o porquê
não sou...
Será que me querem
de cabeça baixa,
triste?
Sabe,
descobri faz pouco
que ou gente
não existe
ou é tudo louco.
[elza fraga]
isso tudo
muito pouco?
Não bastaram
os fatos
desleais
de ser sem escolha
de classe social,
de lar,
de país,
de pais?
E um fulano
ou outro
'inda vem
empina o nariz
e diz
que tenho
quase tudo
pra ser infeliz,
e não compreende
o porquê
não sou...
Será que me querem
de cabeça baixa,
triste?
Sabe,
descobri faz pouco
que ou gente
não existe
ou é tudo louco.
[elza fraga]
domingo, 14 de outubro de 2012
CANSAÇO
Encruzilhada...
Vou ou fico?
Direita, esquerda?
Esta estrada
vida
que não leva a nada
e que ainda
me obriga
a acertar a rota
me deixa
morta!
[elza fraga]
IN-EXPLÍCITO
As minhas juras
nunca são secretas,
secreta sou eu
quando digo coisas
ao pé do seu ouvido,
duvido
que desvende
a verdade
por trás
do não dito.
[elza fraga]
ao pé do seu ouvido,
duvido
que desvende
a verdade
por trás
do não dito.
[elza fraga]
sábado, 13 de outubro de 2012
VOO SOLO
Se voar fosse impossível
teríamos,
coberto de pássaros,
nosso chão.
Eu posso!
Desacredito da palavra não
assumo o risco,
que importa
os que cairam
antes de mim?
Se acredito
vo[u]o até o fim.
[elza fraga]
Desacredito da palavra não
assumo o risco,
que importa
os que cairam
antes de mim?
Se acredito
vo[u]o até o fim.
[elza fraga]
SOLIDÃO
Eu
dentro da caixa
embrulhada
e enfitada,
aos pedaços,
num quarto
com portas fechadas,
que importa
a cor do laço?
[elza fraga]
num quarto
com portas fechadas,
que importa
a cor do laço?
[elza fraga]
VIVER, É FATO, TEM RISCO ALTO
Cheguei na tal idade
em que a vida faz
aquela curva perigosa,
acentuada, sinuosa
e não sinalizada.
'Se' a gente sobrevive,
não despenca no abismo
e nem sai da estrada,
fica com o direito adquirido
de falar suas verdades,
mesmo que isso irrite
a mais da metade
de amigos e similares.
Se eu já era um risco
a própria integridade,
me aguardem...
Tirei o pé do freio
e esqueci a embreagem.
[elza fraga]
e não sinalizada.
'Se' a gente sobrevive,
não despenca no abismo
e nem sai da estrada,
fica com o direito adquirido
de falar suas verdades,
mesmo que isso irrite
a mais da metade
de amigos e similares.
Se eu já era um risco
a própria integridade,
me aguardem...
Tirei o pé do freio
e esqueci a embreagem.
[elza fraga]
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
ASSIM OU ASSADO?
Sabe aquele dia
que você sabia
que deveria ter rasgado
do calendário
ou pulado todo
em amarelinhas,
mas não achou a casquinha
de banana
pra marcar quadrado?
O meu veio hoje,
assim,
sem aviso
apareceu do nada
torto, estabanado.
Me deixou a dúvida
enfim,
fico com
Sorriso amarelo
ou cara de tacho...
Assim ou assado?
[elza fraga]
em amarelinhas,
mas não achou a casquinha
de banana
pra marcar quadrado?
O meu veio hoje,
assim,
sem aviso
apareceu do nada
torto, estabanado.
Me deixou a dúvida
enfim,
fico com
Sorriso amarelo
ou cara de tacho...
Assim ou assado?
[elza fraga]
CIRANDADA
Quem me olha
e não conhece
não enxerga a esperança
dentro da minha matriz
e nem sabe
e nem diz
que eu também
já fui criança,
nem sabe as coisas que faço,
nem sabe as coisas que fiz.
Brinquei de roda ciranda,
de pique pega bandeira,
de passa anel, de amarelinha
casamento japones,
de médico, de casinha,
de pião e de boneca...
Mas quem me olha direito
e me conhece por dentro
não só sabe como diz,
que enquanto tiver ar
no peito
vou arrumar o meu jeito
de ser criança
e feliz!
[elza fraga]
vou arrumar o meu jeito
de ser criança
e feliz!
[elza fraga]
RESOLUÇÃO ANTIGA
[causa do meu efeito
síndrome de peter Pan]
Criança ainda
tropecei nas quinas:
síndrome de peter Pan]
Criança ainda
tropecei nas quinas:
perdi a mãe.
Perdi cães,
parceiros
das esquinas.
Perdi o respeito
pelo mundo
e o seu jeito.
Perdi amigos,
um o trem levou,
outro a morte
nem se desculpou,
outra o coração parou
e era tão nova
sonhava linda
nem se sabia finda,
uma se casou
e foi embora
aí a notícia só chegou
e arregalou
meu olho
antes traquina.
E acho que aí
eu decidi
a minha sina:
Nunca mais vou deixar
de ser menina!
[elza fraga]
Perdi cães,
parceiros
das esquinas.
Perdi o respeito
pelo mundo
e o seu jeito.
Perdi amigos,
um o trem levou,
outro a morte
nem se desculpou,
outra o coração parou
e era tão nova
sonhava linda
nem se sabia finda,
uma se casou
e foi embora
aí a notícia só chegou
e arregalou
meu olho
antes traquina.
E acho que aí
eu decidi
a minha sina:
Nunca mais vou deixar
de ser menina!
[elza fraga]
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
FINITUDE
Poderia te nomear
meu cavaleiro galopante
defesa do meu forte,
ou quem sabe [?]
o cavalheiro amante
galante
oferecendo rosa
me mostrando
o norte,
bússola e prumo,
rumo importante
nesta vida
provisória,
mas prefiro
apenas
te deixar aqui,
contando minha história
de tão pouca sorte
na moldura imponente
a beira do meu leito
firmando o conceito
que nada é pra sempre,
até a minha morte!
[elza fraga]
o cavalheiro amante
galante
oferecendo rosa
me mostrando
o norte,
bússola e prumo,
rumo importante
nesta vida
provisória,
mas prefiro
apenas
te deixar aqui,
contando minha história
de tão pouca sorte
na moldura imponente
a beira do meu leito
firmando o conceito
que nada é pra sempre,
até a minha morte!
[elza fraga]
ILLUMINATO
Tal e qual a alvorada
aguardando o colibri
pra planar,
riscar o traço,
desenhando a manhã,
vindo abrir o alarido
a alegria do grito
pros pardais e bem-te-vis.
Eis-me aqui
braços abertos em cruz
esperando teu abraço.
Nunca vi
nada me trazer mais luz
nem com tamanho
estardalhaço
[elza fraga]
vindo abrir o alarido
a alegria do grito
pros pardais e bem-te-vis.
Eis-me aqui
braços abertos em cruz
esperando teu abraço.
Nunca vi
nada me trazer mais luz
nem com tamanho
estardalhaço
[elza fraga]
ESCUDADA
Quero tudo
no primeiro gole
beber da vida
a posse
não perder
jamais
a taça
do bem
e da maldade
que a vida
traz
chega de amenidades.
[elza fraga]
não perder
jamais
a taça
do bem
e da maldade
que a vida
traz
chega de amenidades.
[elza fraga]
PRESSÁGIO
esclusa de mim,
ponderando
meu medo,
meu erro,
minha culpa.
Pressinto...
Se porventura
me aventurasse
no labirinto
que a vida cruza.
[elza fraga]
sábado, 6 de outubro de 2012
METAMORFOSE
Imagem: Estátua de Hera, deusa da família.
Parti
de onde nunca
deveria ter saido,
fugindo de ti
fugi de mim.
O trem que apitara
de onde nunca
deveria ter saido,
fugindo de ti
fugi de mim.
O trem que apitara
longe
enfim chegara ali,
aprisionando,
levando
o resto
que sobrou
do meu festim.
Cheguei
nem Deus sabe
em que estação
saltei.
O trem seguiu
e eu fiquei
ser mais extático
como
pintura sem assinatura
em tela na parede
de casa inabitada
não movimentei
nenhuma engrenagem,
estacionei
pra toda a eternidade
numa prévia
do morrer.
Sabe a estátua
do olhar perdido
no meio da praça
que cruzas
altivo como um deus
ao entardecer?
Essa
sou eu.
[elza fraga]
enfim chegara ali,
aprisionando,
levando
o resto
que sobrou
do meu festim.
Cheguei
nem Deus sabe
em que estação
saltei.
O trem seguiu
e eu fiquei
ser mais extático
como
pintura sem assinatura
em tela na parede
de casa inabitada
não movimentei
nenhuma engrenagem,
estacionei
pra toda a eternidade
numa prévia
do morrer.
Sabe a estátua
do olhar perdido
no meio da praça
que cruzas
altivo como um deus
ao entardecer?
Essa
sou eu.
[elza fraga]
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
DAS CARTAS QUE ME DESTE - I
Neste dia qualquer
do mes da primavera,
ou seria do verão, inverno,
outono?
Nada importa
sequer
a data certa
pois só quero
mesmo
que entendas
o quanto me atropela
o teu sorriso
largo, fundo,
molhado,
sequer
a data certa
pois só quero
mesmo
que entendas
o quanto me atropela
o teu sorriso
largo, fundo,
molhado,
calado
no canto
da tua boca aberta
como promessa...
Por isso te escrevo.
Pra isso te escrevo.
Só quero que percebas
o meu medo
deste amor perder raízes
e deixar sem florir
dentro de mim
este jardim
plantado com as sementes
deste teu riso
quente
que penso meu
atravessando a morada
do pra sempre.
[elza fraga]
no canto
da tua boca aberta
como promessa...
Por isso te escrevo.
Pra isso te escrevo.
Só quero que percebas
o meu medo
deste amor perder raízes
e deixar sem florir
dentro de mim
este jardim
plantado com as sementes
deste teu riso
quente
que penso meu
atravessando a morada
do pra sempre.
[elza fraga]
AMAR É COLETIVO...OU NÃO
Tem gente
que não sabe dividir
afeto,
ou ama A
ou ama B,
se começa a amar C
esquece o resto do abecedário.
Depois coloca a culpa
na corrida
louca do tempo
nos males
que nos vem com a vida
pra todos
em igual medida.
E ainda acha,
com argumentos
inusitados,
que os descartados
são os culpados!
[elza fraga]
se começa a amar C
esquece o resto do abecedário.
Depois coloca a culpa
na corrida
louca do tempo
nos males
que nos vem com a vida
pra todos
em igual medida.
E ainda acha,
com argumentos
inusitados,
que os descartados
são os culpados!
[elza fraga]
ESTACIONÁRIO
O gosto
na lingua
lembra
a mingua
dum tempo
em que só havia
esperança,
é o passado doendo,
prisão
da lembrança.
em que só havia
esperança,
é o passado doendo,
prisão
da lembrança.
Não foge
mesmo com portas
abertas
sem comando
feito
pesadelo
de criança dormindo
em total desmazelo
até quando?
[elza fraga]
mesmo com portas
abertas
sem comando
feito
pesadelo
de criança dormindo
em total desmazelo
até quando?
[elza fraga]
Assinar:
Postagens (Atom)













































.jpg)



