QUEM VEM COMIGO

segunda-feira, 17 de junho de 2013

SONHOS SÃO IMORTAIS



Coloque branco na janela,
no corpo,

na vida

e reze por ela.

Mais triste que a fome,
que a face sofrida,
que as dores
que não se curam,

é a morte dos sonhos
é a morte da crença.

Ninguém pode matar a alma
que se liberta
e vê, afinal
o mal em toda a sua extensão,

mas a fé ainda pode ser maior,
melhor,
mais ampla

- mesmo onde ainda falta o pão -

e faz vencer por fim

quem tem razão!

[elza fraga]

domingo, 19 de maio de 2013

RESGATE



Atravessou o mar
a me buscar
sem medo
das ondas bravias

desaguou
na praia

me fez resgate

encheu
os braços
do quanto
me cabia

eis-me enfim
calmaria

[elza fraga]

sexta-feira, 26 de abril de 2013

CONTANDO TEMPO



Quando me for
que seja noite, por favor,
não me deixe,
Senhor,
perder o por do sol,

o desmair do girassol.

Suavemente,
no meu leito quente,
não nas mãos
de algum indiferente,

num lugar frio
onde todo leito
é igual,

depósito inumano,
indecente,

de gente.

[elza fraga]

FOI BEM ASSIM...


Não foi repentinamente
Não foi por querer,
propositadamente.
Só lembro
que ensandeci.

Acho
que me perdi
e comecei a acumular histórias
a cada passo errado
dentro deste globo louco
que chamam de mundo.

Quando cheguei ao fundo
de mim mesma
e vi tanta sujeira,
não consegui
me equilibrar no imundo

e desliguei todos os fios
que eu via

até afinal nascer a letargia.

Foi bem assim....

[elza fraga]

terça-feira, 16 de abril de 2013

ATALHO


[Tributo a Clarice]

Sensação de estar perdida,
olho pro lado,
ainda vislumbro vida,
menos nítida, mais difusa...

Volto confusa
em busca do atalho.

Acho
endireito o rumo

vejo que a estrada principal
sempre esteve perto

entro quebro a quina
da esquina

e sumo

[elza fraga]

DIVIDIDA



Só o corpo
virou a esquina

passo roto.

A alma
parada no desgosto
espera

florescer
a primavera

no sorriso fugitivo

do seu rosto.

[elza fraga]

sábado, 6 de abril de 2013

LACERADA


(Escondo o lacerado para que teus olhos não medrem e,
por fim, te apartem de mim...)


Visto-me com retalhos
tecidos
com o fio de vida
esgarçado,

costuro atalhos.

Escondo ombros
e seios
sob larga echarpe
onde traceja
a marca da ferida
que o sangue
ainda fareja

só pra que tu
não vejas!

[elza fraga]

MARCA DE NASCENÇA



Só aos poetas foi dada
a loucura contida nas palavras,
com o nascimento

como um dom presenteado pelas fadas.

Aos outros loucos
[os que a vida se encarregou
de transformar aos poucos]

só foi dado o silêncio
e o nada!

[elza fraga]

ASSASSINATO



Esvaziou o peito
do ar que o amor
guardara
por um bom tempo,

sufocou
até perder
a inspira-ação,

matou
por asfixia
o sentimento,

até já,
volto logo,
nem foi dito...

Nunca mais foi visto.

[elza fraga]

MUDANÇA DE ROTA



Preferia ser alto mar,
não água mansa
da costa
batendo na areia,

em bravatas
lambendo rochedos.

Só uma onda
perdida
no meio do oceano,

sem medo,
sem planos,
sem enredo.

Só o ir e vir
constante
beijando o sono
dos navios

espalhando a lua cheia.

[elza fraga]

quinta-feira, 14 de março de 2013

CANTE!



Está triste?
Cante!
Cercada de limites?
Cante!
A porta está trancada?
Cante!
Espinhos na sacada?
cante!

Não lhe prometo menos pranto,
não lhe prometo mais saidas,
não lhe prometo acalanto,
nem lhe prometo flores
margeando a estrada,

mas se cantar bastante
achará sozinha
o caminho
certo,
sua luz e sina!

Que sempre está tão perto

é só virar a esquina...

[elza fraga]

sexta-feira, 8 de março de 2013

NÓS SOMOS AS SEMENTES DO MUNDO


[Somos as autoras de todo homem que caminha sobre este planeta, missão e arte!]

Honre
seu nome de mulher,

mantenha
a dignidade
de uma mente sã.

Não permita
que ditem seu caminho

e se reverencie


seremos para sempre
ninho

semente
do amanhã!

[elza fraga]

segunda-feira, 4 de março de 2013

QUANDO ME CALO



No meu calar
moram todos os vocábulos

verbos,
substantivos,
conjunções,

sujeitos ocultos
adjetivados,

pre-posições...

É no calar
que minha alma
fica nua

e vira sua.

[elza fraga]

QUESTIONAMENTO



E agora?

Nesta hora
que a dor gruda
no cerne

insiste
esparrama

come as entranhas
qual verme

demora,
demora,

e desiste de ir embora?

[elza fraga]

FINGI-DOR



Enquanto a lua
pousa
numa poça de chuva
barrenta

a gente insone fita
e finge
que aguenta,

sem temer,

a dor de mais um
amanhecer.

[elza fraga]
...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

VIVER É ATO, MORRER É FATO.



Para morrer
tem que se ter andado
muitos caminhos
voado do ninho
pousado
em abismos profundos
chorado
até afogar alma
e inundar o mundo

ou apenas ouvido
um único canto
de passarinho
num deslumbre
de abrir o olho
vez primeira
pro planeta
e partir num suspiro
fugindo?

Passar devagarinho
feito simplicidade
de rio fingindo
que não sabe
que vai pra corredeira

ou ser cometa
brilhar rapidamente
e explodir em cores
antes que a vida mude
e nos ponha em branco e preto?

Viver demais
faz mal
a saúde...

[elza fraga]

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

CANTIGA PRA LIBERDADE



Canto

como um cão
lobo

o bobo
a pensar que canta.

Não desisto
assim mesmo canto

uivando pra liberdade,

quatro paredes
sufocam coração humano

cantar me faz desumano
em coração e verdade,

avalista
do perigo
do estrago

que pratico
masoquista
nesta prisão

a sós
comigo.

[elza fraga]

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

POR QUE MORREM OS POETAS?


 


[Aos meus valiosos amigos poetas que atravessaram o Portal Mágico apressadamente, ousadamente antes de mim]
 

Não, os poetas não morrem!


Eles mudam a trajetória
passam pros bosques
onde as almas
não dormem
apenas descansam conversas


e aí eles escrevem
poemas


seus melhores
seus maiores


e cada um é elo
da poesia do outro

viram coletivo,
coletânea,

que carregam a tiracolo

nunca mais poema
egoisticamente


solo!


[elza fraga]

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

O VELHO ANO ME ESPIA

O ano velho  espia,

e das frestas da ventania
sussurra que ficaria
caso pudesse parar,

me prometeu que viria
saudar o novo chegar
e até ainda agorinha
só vejo seu olho de vento
parado no pensamento
sem uma brisa no ar,

nem sopro,
aragem macia,
nem mesmo a sabedoria
pra receber sorridente
o ano que vai chegar

tão criança inocente
que nem sabe engatinhar.

Ah se eu pudesse voar
e voltar no firmamento
trazendo este ano velhinho
pra ensinar ao menino
a passar mais devagar
sem apressar mais o tempo.

Ah se eu pudesse enredar
a roda do firmamento
e num gesto ousado e lento
fazer  o tempo parar
no primeiro segundinho
deste ano tão novinho

pra nunca mais se acabar
nas curvas do pensamento
levado aos solavancos
pelas esquinas do vento.

Ah se eu pudesse
voltar!

[elza fraga]

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

ABANDONOS






Fiquei

encolhida,
des-escolhida,

tão desprovida
de palavras,
de gestos,
de fatos,

parada

enquanto você
virava a esquina
indo

pra sempre

pro nada!

[elza fraga]

APOCALIPSE




 
 
[caso acaso se dê o ocaso
e a terra sacuda seus parasitas
viventes do dorso quente]

Algumas notas
de velha canção
dançando
sobre um solo nu,

um coração
batendo
em descompasso
cada vez mais longe,
cada vez mais baixo,
cada vez mais fraco,

meu relógio
em eterno atraso,

só isso
enfim,
foi o tudo
que restou de mim

após o ocaso...

[elza fraga]

Imagem: Foto de Fabio Stachi
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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

CANÇÃO PRA ACORDAR O SONHO



[Contraindicação e efeitos colaterais:
Para quem não tem controle total sobre a mente,
cuidado, escrever poesia enlouquece]

Era uma vez... Era uma vez...
um menino de sonhos
que inventei pra vocês.
Sempre que conto esta história
peço a minha lembrança
pra devolver a criança

que um dia foi meu rei.

Tinha o olho de anjo,
a pele cor do marfim,

sorriso feito de asas
voando sempre pra mim,

peito de bem querer
voz de querubim,

morava na minha infância
que era um imenso jardim.

Sempre que conto esta história
devolvo pra minha mão
o livro que escrevi,
as letras daquela canção,

a varinha de condão,
o dom da imaginação,
o sonho bom que sonhei,

e, só então,
acordo o menino
do sonho

que um dia foi meu rei.

[elza fraga]

Da série Contações de História

EMBUSTE



Acho que meu tempo
de vivente
anda nos calços
da eternidade

faz um tempão.

Desconfio
que já estou
na agonia

da prorrogação.

É premente
que comece
com maestria

a inventar

minha biografia,

não me conformo
em partir assim

vazia!

[elza fraga]

terça-feira, 27 de novembro de 2012

APRESSANDO A TEMPESTADE



Ilustração de Nicoletta Ceccoli

  Entre a pele lisa
da covardia
e a destruição
do tempo

fico com a ousadia
e as rugas
da ventania

é menos lento!

[elza fraga]

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

QUANDO MORRE O POETA



 
Fonte da imagem: overmundo.com.br
 
Tudo agora
é novo
pro poeta

e o silêncio
faz parte do jogo

não deixe
que ele acorde

e se perceba

morto

[elza fraga]

COMO ERA BOM ANTES DO TEMPO



Tempo,
como o vento,
tem mania
de se insurgir
e estragar,

por atrevimento,

o que antes
era
calmaria.

[elza fraga]

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

TODO O CUIDADO É POUCO!



Poeta?
Cuidado!
Ninguém está a salvo,
não se iluda
com a aparente calma,

ele tem arma:
Palavra!

Coitado
do alvo.

[elza fraga]

sábado, 3 de novembro de 2012

MORADORES PROVISÓRIOS



Ninguém se prontifica
a penar o meu sofrer
para me dar descanso,

mas dizer
o que devo fazer

quantos....

[elza fraga]

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

É TEMPO DE NÃO SER



Estanca o sangue
que o peso de ser
me arranca
das entranhas,

a alma não aguenta,

que jorra,
que suja
a minha história

e, assim,

bem devagarinho,

enfim
me desinventa.

[elza fraga]

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

RETORNANTE



Arriei a bagagem
[pesava na alma]
no quente da rua

e,
sem eira nem beira,
sem mala nem cuia,

retornei
quase nua,
olvidei que parti.

Pronto, poesia,

mesmo que você
me receba vazia,
e me puna
com o corte
da asa

eis-me,
novamente,
aqui

de volta pra casa!

[elza fraga]

SÚPLICE



Aceita-me
como sou
e só
não desiste.

Nada mais preciso,

não estamos
na filial do paraíso,

entendo até
que ela nem existe...

Aposta tudo,
persiste
confiante

até o fim

quando a velhice
enfim chegante
vir colher

o que sobrou de mim.

[elza fraga]

terça-feira, 30 de outubro de 2012

ADULTOS NÃO SÃO CONFIÁVEIS



Ouvi
desde pequena,
por ser arredia
e avessa a estudo,
que,
quando crescesse,
se ajeitaria tudo,

ficaria grande e
inteligente...

Delírios de adultas
mentes.

O nome do que a idade
traz consigo
não é sabedoria,

é reumatismo.

[elza fraga]

VELOCIDADE



Indefinida
a vida,
não sabe se vai
ou se fica,
mas encanta
no seu curso,

no susto,
e nó na garganta,

e tanta
veia pulsando
até quando

o inesperado
marcado

num calendário
sucinto,
avisa:

-Extinto...

[elza fraga]

FORA DA FÔRMA



Não bastou
a sina
de nascer menina,
onde homens
acham
isso tudo
muito pouco?

Não bastaram
os fatos
desleais
de ser sem escolha

de classe social,
de lar,
de país,
de pais?

E um fulano
ou outro
'inda vem
empina o nariz
e diz

que tenho
quase tudo
pra ser infeliz,

e não compreende
o porquê
não sou...

Será que me querem
de cabeça baixa,
triste?

Sabe,

descobri faz pouco
que ou gente
não existe

ou é tudo louco.

[elza fraga]

domingo, 14 de outubro de 2012

MELHOR NÃO...



Nunca me pergunte
como vou,
amigo
...

Calha
que eu digo?!

[elza fraga]

CANSAÇO



Encruzilhada...

Vou ou fico?
Direita, esquerda?

Esta estrada
vida
que não leva a nada

e que ainda
me obriga

a acertar a rota

me deixa

morta!

[elza fraga]

IN-EXPLÍCITO



As minhas juras
nunca são secretas,

secreta sou eu
quando digo coisas
ao pé do seu ouvido,

duvido
que desvende
a verdade
por trás

do não dito.

[elza fraga]

sábado, 13 de outubro de 2012

VOO SOLO



Se voar fosse impossível
teríamos,
coberto de pássaros,
nosso chão.

Eu posso!

Desacredito da palavra não
assumo o risco,

que importa
os que cairam
antes de mim?

Se acredito
vo[u]o até o fim.

[elza fraga]

SOLIDÃO



Eu
dentro da caixa
embrulhada
e enfitada,

aos pedaços,

num quarto
com portas fechadas,

que importa
a cor do laço?

[elza fraga]

VIVER, É FATO, TEM RISCO ALTO



Cheguei na tal idade
em que a vida faz
aquela curva perigosa,
acentuada, sinuosa
e não sinalizada.

'Se' a gente sobrevive,
não despenca no abismo
e nem sai da estrada,
fica com o direito adquirido
de falar suas verdades,

mesmo que isso irrite
a mais da metade
de amigos e similares.

Se eu já era um risco
a própria integridade,
me aguardem...

Tirei o pé do freio
e esqueci a embreagem.

[elza fraga]

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

ASSIM OU ASSADO?



Sabe aquele dia
que você sabia
que deveria ter rasgado
do calendário
ou pulado todo
em amarelinhas,
mas não achou a casquinha
de banana
pra marcar quadrado?

O meu veio hoje,
assim,
sem aviso
apareceu do nada
torto, estabanado.

Me deixou a dúvida
enfim,
fico com
Sorriso amarelo
ou cara de tacho...

Assim ou assado?

[elza fraga]

CIRANDADA



Quem me olha
e não conhece
não enxerga a esperança
dentro da minha matriz

e nem sabe
e nem diz
que eu também
já fui criança,

nem sabe as coisas que faço,
nem sabe as coisas que fiz.

Brinquei de roda ciranda,
de pique pega bandeira,
de passa anel, de amarelinha
casamento japones,
de médico, de casinha,
de pião e de boneca...

Mas quem me olha direito
e me conhece por dentro

não só sabe como diz,

que enquanto tiver ar 
no peito
vou arrumar o meu jeito
de ser criança

e feliz!

[elza fraga]

RESOLUÇÃO ANTIGA


 
[causa do meu efeito
síndrome de peter Pan]

Criança ainda
tropecei nas quinas:
perdi a mãe.

Perdi cães,
parceiros
das esquinas.

Perdi o respeito
pelo mundo
e o seu jeito.

Perdi amigos,
um o trem levou,
outro a morte
nem se desculpou,
outra o coração parou
e era tão nova
sonhava linda
nem se sabia finda,

uma se casou
e foi embora
aí a notícia só chegou
e arregalou
meu olho
antes traquina.

E acho que aí
eu decidi
a minha sina:

Nunca mais vou deixar
de ser menina!

[elza fraga]

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

FINITUDE



Poderia te nomear
meu cavaleiro galopante
defesa do meu forte,
ou quem sabe [?]
o cavalheiro amante

galante
oferecendo rosa
me mostrando
o norte,

bússola e prumo,
rumo importante
nesta vida

provisória,

mas prefiro
apenas
te deixar aqui,
contando minha história

de tão pouca sorte

na moldura imponente
a beira do meu leito

firmando o conceito
que nada é pra sempre,

até a minha morte!

[elza fraga]

ILLUMINATO



Tal e qual a alvorada
aguardando o colibri
pra planar,
riscar o traço,
desenhando a manhã,

vindo abrir o alarido
a alegria do grito
pros pardais e bem-te-vis.

Eis-me aqui
braços abertos em cruz

esperando teu abraço.

Nunca vi
nada me trazer mais luz

nem com tamanho
estardalhaço

[elza fraga]

ESCUDADA



Quero tudo
no primeiro gole

beber da vida
a posse

não perder
jamais
a taça

do bem
e da maldade
que a vida
traz

chega de amenidades.

[elza fraga]

PRESSÁGIO



Sei que me encontraria
enfim
fria, madura,
intrusa,
esclusa de mim,

ponderando
meu medo,
meu erro,
minha culpa.

Pressinto...

Se porventura
me aventurasse
no labirinto

que a vida cruza.

[elza fraga]

sábado, 6 de outubro de 2012

METAMORFOSE


 
Imagem: Estátua de Hera, deusa da família.

Parti
de onde nunca
deveria ter saido,
fugindo de ti
fugi de mim.

O trem que apitara
longe
enfim chegara ali,
aprisionando,

levando
o resto
que sobrou
do meu festim.

Cheguei

nem Deus sabe
em que estação
saltei.

O trem seguiu
e eu fiquei
ser mais extático

como
pintura sem assinatura
em tela na parede
de casa inabitada

não movimentei
nenhuma engrenagem,

estacionei
pra toda a eternidade
numa prévia
do morrer.


Sabe a estátua
do olhar perdido
no meio da praça
que cruzas
altivo como um deus
ao entardecer?

Essa
sou eu.

[elza fraga]

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

DAS CARTAS QUE ME DESTE - I



Neste dia qualquer
do mes da primavera,
ou seria do verão,
inverno,
outono?

Nada importa
sequer
a data certa

pois só quero
mesmo
que entendas
o quanto me atropela
o teu sorriso
largo, fundo,
molhado,

calado
no canto
da tua boca aberta

como promessa...

Por isso te escrevo.
Pra isso te escrevo.

Só quero que percebas
o meu medo
deste amor perder raízes

e deixar sem florir
dentro de mim
este jardim
plantado com as sementes

deste teu riso
quente

que penso meu

atravessando a morada
do pra sempre.

[elza fraga]

AMAR É COLETIVO...OU NÃO



Tem gente
que não sabe dividir
afeto,
ou ama A
ou ama B,
se começa a amar C
esquece o resto do abecedário.

Depois coloca a culpa
na corrida
louca do tempo
nos males
que nos vem com a vida
pra todos
em igual medida.

E ainda acha,
com argumentos
inusitados,

que os descartados

são os culpados!

[elza fraga]

ESTACIONÁRIO



O gosto
na lingua
lembra
a mingua

dum tempo
em que só havia
esperança,

é o passado doendo,
prisão
da lembrança.
Não foge
mesmo com portas
abertas

sem comando

feito
pesadelo
de criança dormindo
em total desmazelo

até quando?

[elza fraga]