QUEM VEM COMIGO
terça-feira, 25 de outubro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
AS VOLTAS QUE O MUNDO ME DEU
EVOLUÇÃO AS AVESSAS
Quando me for
quero voltar em flor
que isso de ser gente
dá um trabalho danado
deixa demente
Elza Fraga
domingo, 18 de setembro de 2011
ATUALIDADE
Lembra quando sorria?
Havia um certo trejeito
uma covinha na face
agora a face trincada
em dentes que não se mostram
me viram as costas
no espelho
Deve ser medo
da resposta do tempo
da boca escancarada
da máscara arrancada
do inteiro, do intenso
do enredo,
do cerco
do esterco da alma
morta
da projeção do enterro
tentando arrombar minha porta.
Elza fraga
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
PESADELO
Com a boca
da medonha
escancarada
sórdidamente forte
como um avesso
de sorte
a lingua deslizante
rastejante
da medonha
escancarada
sórdidamente forte
como um avesso
de sorte
a lingua deslizante
rastejante
como traiçoeira cobra
salivando
minhas sobras
entre entradas
e entranhas
fingi de morta
fiz que era santa
voltei criança
Burlei a morte.
Elza Fraga
sexta-feira, 1 de abril de 2011
E EU NEM CONHEÇO NOVA IORQUE
..
Quem vai debruçar
em minhas mãos,
enlaçar um terço,
rezar uma oração
com a simplicidade
dos que oram
sem pranto,
só com o coração?
Quem,
enquanto espero
a saida
finalmente,
vai olhar meus olhos
como crente
com amor, respeito
ou devoção?
Quem,
diferente dos demais mortais,
vai lembrar da morada espiritual
a casinha
de janela amarela
com jardim
que sempre sonhei pra mim
depois da ida?
Quem vai chorar a minha morte
se eu nem conheço Nova Iorque?
Elza Fraga
..
VAGAROSAMENTE
...
Prisão involuntária
Prisão involuntária
vidro da janela
há vida lá fora
...sol brilhando agora
dentro do meu mundo
só cheiro de morte
fedido
...nauseabundo
até chegar ao fundo
e aí se finda
a última engrenagem
...funcionando ainda
(Elza Fraga)
domingo, 13 de março de 2011
DIA DA CAÇA
Ah, vida
porque castigas
com tremores,
...
fendas escorrem nos rios
trama
ondas gigantes
mata teus próprios filhos
desespera quem te ama
nos deixa de peito vazio
e nos preenche de medo
e frio!
(Elza Fraga)
porque castigas
com tremores,
...
fendas escorrem nos rios
trama
ondas gigantes
mata teus próprios filhos
desespera quem te ama
nos deixa de peito vazio
e nos preenche de medo
e frio!
(Elza Fraga)
sábado, 5 de março de 2011
O MURMURAR DO SILÊNCIO
...
Sem palavras,
todas fugiram.
Calar é ouvir o silêncio
esse eu recomendo
diariamente
noturnamente.
Então não se espantem comigo
se emudeci o canto,
e abri as comportas do pranto
A alma seca a luz
como se pendurada
em cruz
perdida
num varal
qualquer da vida
(Elza Fraga)
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
NO FUNDO D'UM OLHO SECO
Enfim o livro parido, obrigada a todos que ajudaram com apoio, amor, incentivo...
Grata por toda a energia positiva enviada para que eu pudesse ter forças e superar os obstáculos.
Bitokitas de toda a Luz!
Elza Fraga
segunda-feira, 24 de maio de 2010
MOTIM
Meu universo é inverso
vive de ponta cabeça
por mais que eu endireite
ele a noite
aproveita
a hora em que adormeço
pra fazer malcriação
e se vira do avesso
e põe o pé na cabeça
e a cabeça no chão
universo que não deixa
nem os meus versos direitos
quebra a rima
parte ao meio
Um dia
imito o seus feitos
com o jeito que Deus me fez
amarro ele nas pontas
e acerto as nossas contas
(Elza Fraga)
ALQUIMIA DO FRACASSO
E lá vou eu
de coração
na mão
tentando a transformação
fazer da matéria
uma estrela
de qualquer grandeza
ouso voar,
meio zonza,
me embolo toda
nos raios azuis,
distorço
o feixe de luz
e fico,
extática,
em oferenda.
Mas é difícil
o sangue estancar
quando
ainda madruga
e a gente
se espraia no ar,
meio fuga,
meio prenda.
(Elza Fraga)
sexta-feira, 7 de maio de 2010
PROCURA-SE MÃE QUE SUMIU
Foto devidamente roubada de orkut da irmã, rsrs.
Eu nunca soube
ao certo
quantos éramos.
Só lembro de muito barulho,
da algazarra,
das risadas permeadas
de coisas bobas
[hoje morando
nas lembranças]
antes engraçadas
por estarmos todos
crianças.
E no meio
desta gritaria
-gigantesca
a mãe
que tudo sabia
num afã
de dar conta
de cada cria
Ela acreditava
que podia,
talvez por isso
desse tão certo
com ela.
Mas o tempo,
inimigo implacável,
tirou a dona da roda
do nosso meio
e qual pintos assustados
espalhados
por todo o canto
nos deixou atarantados
e sem rumo
Até hoje sem prumo
procuro
aquela bruxa fada
que remexia
o tacho
e abaixava o nosso facho
com seu feitiço certeiro
e não acho.
(Elza Fraga)
.
terça-feira, 4 de maio de 2010
INQUIETUDE
Desenho de Jorge Luis Borges sobre o tango
Botei o vestido
de domingo
desbotado
os sapatos
tinindo de apertado
com salto sete
para passo lento
cabelo solto
ao vento
batom vermelho
morango
e fui procurar parceiro
pra dançar um tango
que isso é o tudo
que aguento
por enquanto
(Elza Fraga)
sábado, 1 de maio de 2010
DUO
TRAMPO
Bondade sua
ser tão generoso,
nem precisava tanto,
só o sorriso no seu rosto
já paga o trampo!
PEÃO DE OBRA
Sentou no saco de cimento,
abriu a marmita
cheirou
e decidiu,
hoje ia mandar
a patroa
pra dona
que a pariu
(Elza Fraga)
sábado, 24 de abril de 2010
RECEITA PRA ENGANAR O TEMPO
O tempo zombeteiro
pega a gente
leva na torrente.
Brinca de morta
que ele sai
da sua porta!
(Elza Fraga)
pega a gente
leva na torrente.
Brinca de morta
que ele sai
da sua porta!
(Elza Fraga)
terça-feira, 20 de abril de 2010
PROFISSIONALMENTE
Não contratem
parentes
pra chorar
a minha morte
molhando meu coração
e meu caixão
sem nenhuma emoção
apenas obrigação
indecente
chamem as carpideiras
elas entendem bem melhor
desta função
(Elza Fraga)
terça-feira, 6 de abril de 2010
SÓ O QUE BASTA
Eu
mais um cachorro
triste
gemente
mais um apartamento
envolvente
[prisão quente]
me aranhando
as suas teias
mais o sangue
dolorindo
as veias
espremidas
tentando sorver
vida
mais um livro
trambolho
letras embaralhadas
no muco do olho
páginas ao léu
mais uma janela
que
aberta
dá direito
ao céu
Essa é a minha
paz
a minha
ilha
estrelas completam
a família
(Elza Fraga)
terça-feira, 9 de março de 2010
ENSAIO DE DESPEDIDA
(É apenas um ensaio, quem sabe daqui a cem anos escreva um outro melhor, rs?
Serve apenas para explicar minha ausência e para matar, um pouquinho que seja,
esta vontade enorme de poder estar inteira, novamente, na net)
.
Serve apenas para explicar minha ausência e para matar, um pouquinho que seja,
esta vontade enorme de poder estar inteira, novamente, na net)
.
Aos que agradei
e que- de algum jeito-
me amaram,
aos que não me suportaram,
aos afetos, aos amados,
aos desafetos confessos,
aos partidos, aos ficantes,
aos que abandonaram o barco
por fadiga,
no instante exato
do apito de partida,
aos que deixaram melhores
[ou piores]
os momentos voantes
da minha vida.
Aos passantes, aos solidários,
aos falsos amigos, aos de verdade,
aos reais, aos virtuais,
aos que se foram
sem sequer terem tentado
atingir meu coração,
aos que conseguiram,
aos que me leram a alma,
aos que me tiraram o prumo
e a calma,
aos que espremeram meus olhos
até cair o pranto,
aos que secaram a face dolorida...
Aos que persistiram
e acompanharam
até o fim
Deixo a todos, como herança,
uma lasca enorme
de mim.
(Elza Fraga)
sábado, 24 de outubro de 2009
CANÇÃO DA MENINA TRISTE
ARTE DIGITAL : FATIMA QUEIROZ
.
Era só uma menina
tinha a pele delicada
[tão linda tão linda]
um rosto
bem posto
sem choro
ou desgosto
sem bem e sem mal
a menina tinha um olho
de uma cor especial
era um olho tão bonito
era um olho abissal
[era verde era verde]
como o prado e o quintal
era um olho de menina
enfeitado de cristal
O cabelo da menina
era a luz do sol nascente
[era belo era belo]
amarelo e obediente
aceitava o pente fino
aceitava o pente quente
aceitava qualquer pente
A menina era tão clara
como a lua já no meio
do céu lindo
do céu pronto
das estrelas de permeio
era só a cor de leite
misturada com azeite
escorreguenta e manhosa
branda como a branca
rosa
A menina se encantou
pelo principe da esquina
e fugiu no seu cavalo
como fogem as meninas
que esta era a sua sina
[e este foi o seu mal feito]
Hoje ela só desencanta
corre pra longe da dança
do trabalho, corredeira,
fraldas, filhos, mamadeira
E a menina tão princesa
virou mãe
tão pequenina
que ninguém sabe
entre todos
quem é filho,
quem é sina,
quem é menino ou menina
Nunca mais a brincadeira,
o olho da cor do mar
o sal grudado no corpo
só susto do despertar
e ver que agora é a sério
acabou a brincadeira
e a menina tão bonita
ficou velha
de idade
ficou triste
de maldade
de repente
ficou feia
para sempre!
(Elza Fraga)
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